Antônio de Castro Alves

Sílvia Mota a Poeta e Escritora do Amor e da Paz

 

Antônio de Castro Alves (1847-1871) foi o último dos poetas românticos proeminentes do Brasil. Passa para a História, conhecido por sua campanha poética em nome da liberdade para os escravos africanos.

 

Antônio de Castro Alves nasceu na fazenda Cabaceiras, a sete léguas (42 km) da vila de Nossa Senhora da Conceição de "Curralinho", hoje Castro Alves, no estado da Bahia, em 14 de março de 1847. Era filho de Antônio José Alves e Clélia Brasília Castro. Sua mãe faleceu em 1859. No colégio e no lar, através do seu pai, encontrava atmosfera literária produzida pelos oiteiros ou saraus, festas de arte, música, poesia, declamação de versos.

 

Em 1868, o jovem ingressou na Faculdade de Direito. Começara a compor poesia bem cedo, aos 17 anos, e escreveu alguns de seus poemas mais impressionantes quando estudante.

 

A 7 de setembro de 1868, fez a apresentação pública de “Tragédia no mar”, que depois ganharia o nome de “O Navio Negreiro”. No dia 25 de outubro, foi reapresentada sua peça Gonzaga no Teatro São José, musicada pelo compositor mineiro, então residente em São Paulo, Emílio do Lago.

 

Tuberculoso, o jovem poeta, aventara uma estadia na cidade de Caetité, onde moravam seus tios e morrera o avô materno (o Major Silva Castro, herói da Independência da Bahia), dois grandes amigos (Otaviano Xavier Cotrim e Plínio de Lima), de clima salutar. Mas, antes, ainda em São Paulo, na tarde de 11 de novembro de 1868, resolveu realizar uma caçada na várzea do Brás e feriu o pé com um tiro. Disso resultou longa enfermidade, cirurgias, chegando ao Rio de Janeiro no começo de 1869, para salvar a vida, mas com o martírio de uma amputação. Os cirurgiões e professores da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, Andrade Pertence e Mateus de Andrade, amputaram seu membro inferior esquerdo sem qualquer anestesia. Mutilado, estava obrigado a procurar o consolo da família e os bons ares do sertão.

 

Alguns dos poemas de Castro Alves sofrem as piores críticas em razão do sentimentalismo em pleno século 19. O excesso de retórica reflete a tendência brasileira para a oratória e declamação. Mas, se alguns de seus piores poemas são omitidos, outros são editados. O seu trabalho surge como altamente lírico, a partir de, por exemplo, “O gondoleiro do Amor”. Suas imagens são muitas vezes poderosas e profundamente comoventes, como em “Crepúsculo sertanejo”. E mesmo a tendência de sua poesia declamatória indica o grau em que se encontrava enraizada no contexto social e histórico nacional.

 

Como a maioria dos românticos Castro Alves viu o drama do destino do homem como um eterno conflito entre o bem e o mal. O homem é pego pelos desajustes da história e foi desta forma que Castro Alves abordou o problema da escravidão humana. Forças sinistras maiores do que o indivíduo produziram a instituição vergonhosa, mas sua luta poderia, talvez, destruí-la ou pelo menos resgatar o indivíduo esmagado entre as forças criadoras de tal malefício.

 

Quando Castro Alves estava na faculdade de direito, a questão da escravidão era mais importante aos olhos do público. Embora o problema atravessasse muitos anos sem solução, as leis que lidavam com essa instituição eram muito debatidas. E foi nesta discussão que Castro Alves se jogou. A vocação do poeta revelava as mazelas impregnadas nas camadas sociais, sobretudo a situação opressora predominante nas senzalas brasileiras, com os negros a viver em meio aos ditames e aos castigos dos seus senhores. Fazia-se necessário que alguém clamasse pelo grito de liberdade, no intento de despertar a consciência por um mundo mais igualitário e mais justo. Tais objetivos materializaram-se em diversas obras. Talvez, seu poema mais frequentemente citado seja ”O Navio Negreiro”, uma conta do comércio de escravos Africano em proporções épicas. Em muitos de seus outros poemas, por exemplo, na coleção Vozes d’África (1880), o poeta imaginou o Africano não só como um herói, mas também como um amante, uma figura verdadeiramente humana. Para ter certeza, Castro Alves não fugiu do seu tempo: enriqueceu seus africanos com qualidades "brancas", ainda que alterasse sua fisionomia. Por isso foi capaz de convencer alguns brancos que, de fato, os africanos eram como eles no amor, na tristeza, na raiva, na ternura e, portanto, por que não na lei?

 

Castro Alves morreu de tuberculose aos 24 anos, a 6 de julho de 1871. Apenas um livro de seus poemas, Espumas flutuantes (1870), foi publicado antes da sua morte, mas outros foram emitidos a título póstumo.

Adaptação de fontes de pesquisa capturadas na Internet

Tags: Antônio de Castro Alves, Biografia, PEAPAZ, Sílvia Mota

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Respostas a este tópico

Algo que vem a proposito, corroborando como é "desumano o ser humano"...

Sem maiores comentários, para não falar palavrões...

Um das páginas mais negras da Historia Mundial... Um das maiores provas da selvageria do dito "ser racional"...

Beijos confortadores

Marcial

Se existe uma página da História que me comove, às lágrimas, é a época da escravidão...

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