-Ô rapagi, eu vi ontem as bruxas montadas em vassouras, sobrevoando lá no Ribeirão!
Era lua cheia e elas passavam dando gargalhadas assustadoras pelos pastos.

- Si mali num lhe pregunto, tu não deste uma sipuada no meio dos cornos delas?

- Tu tas loco,istepô, me tranquei em casa só espiando por uma greta da janela. Era uma gritaçada que as bucicas latiram a noite toda. Cheguei até a ficar destemperado.

-Pois dijaôje eles estavam contando lá na venda que os cavalos amanheceram cheios de nós nos rabos e nas crinas, feitos pelas marvadas. Teve um que tinha chupadas de sangue no pescoço.

-Ó-lhó-lhó!

- Tu não ouviste falar na filha da comadre Néia? A menina não arribava porquê as bruxas chupavam o sangue dela de noite.
Foi aí que a comadre pegou uma oração poderosa que era do seu Francolino e elas foram embora e não voltaram mais. A menina arribou que é uma beleza, ficou vermelha e gordinha.
Vou te dar a oração prá te proteger. É assim:

“Tosca, marosca, rabo de rosca.
Vassoura na tua mão e freio na tua boca.
Relho na tua bunda e aguilhão nos teus pés.
Por riba dos silvados e por debaixo dos telhados.
São Pedro, São Paulo e São Frontista e por cima da casa São João Batista.
Bruxa tatarabruxa tu não mo entras nesta casa – nem nesta comarca toda, por todos os santos dos santos. Amém.”

OBSERVAÇÕES: As palavras em itálico fazem parte do vocabulário dos nativos da Ilha, e que se originaram da língua dos índios carijós, dos açorianos e do sotaque gaúcho ou castelhano. É um amplo mosaico lingüístico de como se falou e se fala hoje. Há uma musicalidade e sonoridade próprias. É interessante, enriquecedor e engraçado.

Significado das palavras do dicionário “manezês”, que estão em itálico acima:
Rapagi: rapaz.

Si máli nom lhi pregunto: Se mal não lhe pergunto.

Sipuada nos cornos: Pancada.

Tu tas loco, istepô: Estás bobo; istepô: palavra usada para dizer que a pessoa não presta, mas também é usada de forma carinhosa.

Greta: fresta

Bucica: cadela.

Destemperado: com desarranjo.

Dijaôje: ainda agora, hoje mesmo.

Marvadas: malvadas.

Ó-lhó-lhó: expressão de admiração ou sarcasmo

Tags: Bruxas, Ilha, Magia

Exibições: 164

Respostas a este tópico

Ó-lhó-lhó querida poeta, esta com certeza mexe com o bestunto de carquéum, e deixa destemperado quem não percebe o sentido...

É impressionante as diferenças regionais de nosso idioma...

Seria muito divertido assistir uma discussão entre um "manézinho", um mineiro e um maranhense...

Beijos em todos os idiomas,

Marcial

Tava doidim prá vê tua contribução pro grupo. Sabia qui pudia contá cocê. Adorei dimaidaconta! Uma diliça di si lê! Brigadu cumadi. Besossssssssssssssssssssssssss

Cumadi Sirva! Si tu visse as bruxas da Ilha, minha cumadi,tu ficavas branquinha, branquinha. Inté as bucica si arripiam. rsrs
BEIJOSSSS

Cumpadi Marciar! Quiridu, us nossos manezinho sâo uns istepô. Purissu qui eu gosto tanto de Linguistica.
Esta diversidade cultural para mim é um show!
Beijossssss

Tô é longe dessas bruxa marvada.

Prá milhorá os pensamento pega essas flor do campo qui aieu culhi procê lá no meu quintar. São do fundo do meu curação.

Bruxas ainda existem.......................

As Bruxas de Salem: Uma trágica brincadeira.

Há três séculos, o vilarejo de Salem, na colônia americana da Nova Inglaterra, foi tomado de assalto por uma onda de intolerância e de fanatismo religioso, vitimando quase vinte pessoas. Esse infeliz incidente, e a caça às feiticeiras que então se desencadeou, serviu como um alerta para que os princípios de liberdade religiosa fossem assegurados na história dos Estados Unidos.

Salem é visitada por Satanás"É uma certeza que o demônio apresenta-se por vezes na forma de pessoas não apenas inocentes, mas também muito virtuosas."Rev. John Richards, século XV

O inquérito de Salem, atrás de sinas das bruxas, Mister Parris, o pobre reverendo de Salem, estava exasperado. Betty, a sua única filha de apenas nove anos, acometida por uma série de estranhos espasmos, jogou-se petrificada sobre o leito, negando-se a comer. Naquela perdida cidadezinha, ao norte de Boston, não existiam muitos recursos além de um velho médico que por lá se perdera. Chamado para diagnosticar a doença, atestou para o aterrado pai que a menina estava era enfeitiçada e que nada lhes restava a fazer além de uma boa e sincera reza. A conclusão do doutor correu de boca em boca e em pouco tempo os pacatos habitantes do pequeno porto tomaram conhecimento de que Satanás resolvera coabitar com eles. Simultâneamente outras garotas, as amiguinhas de Betty, começaram a apresentar sintomas semelhantes aos da filha do clérigo. Rolavam pelo chão, imprecavam, salivavam, grunhiam e latiam. Foi um pandemônio. Pressionado a tomar medidas, Parris resolveu chamar um exorcista, um caçador de feiticeiras, que prontamente começou sua investigação.
No século XVII, poucos punham em dúvida a existência de bruxas ou de feiticeiras porque uma das máximas daqueles tempos é de que "é uma política do Diabo persuadir-nos que não há nenhum Diabo".
A inquisição
Inquiridas por Cotton Mather, que iria se revelar uma espécie de Torquermada americano, as garotas contaram que o que havia desencadeado aquela desordem toda fora uns rituais de vodu que elas viram Tituba fazer. Essa era uma escrava negra que viera das Índias Ocidentais, e que iniciara algumas delas no conhecimento da magia negra. Durante o último longo inverno da Nova Inglaterra, ela apresentara várias vezes os feitiços para uma platéia de garotas impressionáveis. Educadas no estreito moralismo calvinista e no ódio ao sexo que o puritanismo devota, aquele cerimonial animista deve ter despertado as fantasias eróticas nelas. Provavelmente culpadas por terem cedido à libido ou apavoradas por sonhos eróticos, as garotas entraram em choque histérico. Seja como for o caso, merecia ser ouvido num tribunal. Toda a Salem se fez então presente no salão comunitário.
Quando colocadas num tribunal especial, presidido pelo juiz S. Sewall, e inquiridas pelos juízes Corwin e Hawthorne, as meninas começaram a apontar indistintamente para várias pessoas que estavam na sala apenas como curiosas. O depoimento mais sensacional foi o da escrava Tituba, que não só confessou suas estranhas práticas como afirmou que várias outras pessoas da comunidade também o faziam. A partir daquele momento, a cidadezinha que já estava sob forte tensão se transformou. Um comportamento obsessivo proveniente de Roger Conant, fundador de Salem, tomou conta dos moradores. Uma onda de acusações devastou o lugarejo. Vizinhos se denunciavam, maridos suspeitavam das suas mulheres e vice-versa, amigos de longa data viravam inimigos,,
LAURIE CABOT: A filha mais devota de Salem.
Cabot é uma Sumo Sacerdotisa norte-americana e uma das primeiras a popularizar a Bruxaria nos Estados Unidos da América.
É autora de livros tais como: The Power of the Witch, The Witch in Every Woman, Celebrate the Earth. Também fundou a "Cabot Tradition of the Science of Witchcraft" e "Witches League for Public Awareness" para defender os direitos civis dos bruxos. Nos anos 70 foi declarada pelo governador Michael Dukakis como a "bruxa oficial de Salem, Massachusetts" honrando-a assim pelo trabalho prestado com crianças com necessidades especiais. Continua a residir em Salem onde tem uma loja chamada The Cat, the Crow, and the Crown. É talvez uma das bruxas mais conhecidas no mundo. É considerada a "lenda" de Salem e uma respeitada celebridade local.

Vida e Carreira
Laurie Cabot nasceu como Mercedes Elizabeth Kearsey em 1933 na cidade de Wewoka, Oklahoma. Cabot diz que desde criança mantem este interesse pelo ocultismo desenvolvendo-o em Boston enquanto se transformava numa jovem mulher que "assombrava" as paredes na Biblioteca Pública de Boston.

Nos anos 50 trabalhou como dançarina no clube nocturno chamado "The Latin Quarter" propriedade de Lou Walters. Cabot foi questionada por Lou Walters para abrir o seu "Las Vegas Latin Quarter" cujo pedido recusou. Casou duas vezes e em cada casamento teve duas filhas, Jody Cabot e Penny Cabot as quais foram criadas como bruxas.

Laurie Cabot abriu a primeira "loja de bruxas" no mundo, em Salem na década de 70, a qual foi considerada como um destino turístico. Atualmente existem diversas lojas em toda a baixa de Salem, mas foi Cabot que desbravou o caminho para início deste negócio. Na loja vendia ervas, joalharia, baralhos de Tarot e outros items usados na bruxaria. Mais tarde transferiu a loja para uma velha casa na rua de Essex que chamou de "Crow Haven Corner". A loja continua aberta, mas já não pertence à família Cabot. Laura Cabot mantém na mesma uma loja em Salem em Pickering Wharf e um popular destino turístico como também uma importante fonte para todas as bruxas.

Cabot é bastante conhecida pel seu negócio, palestras e livros. No final da década de 1980 teve uma participação nos talk-shows Oprah Winfrey Show e Phil Donahue.

RSS

Membros

Badge

Carregando...